quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CONTROLE DE DEFORMAÇÃO

Controle de Deformações
A deformação é um dos mais sérios problemas a ser enfrentado na fabricação de estruturas e equipamentos soldados.


ANALOGIA DA BARRA AQUECIDA

À medida que a barra é uniformemente aquecida ela se expande em todas as direções. Quando o metal resfriar, a temperatura ambiente, ela terá se contraído uniformemente para retomar às suas dimensões originais.
Mas se a barra tiver sua movimentação restringida enquanto for aquecida, a expansão lateral não poderá ocorrer. Entretanto, a expansão em volume tem que ocorrer, logo a barra se expandirá em maior quantidade na direção vertical.
Concluímos que durante o aquecimento, a dilatação ocorreu somente para onde havia liberdade.
À medida que a barra deformada retorna a temperatura ambiente, ela tenderá a se contrair uniformemente em todas as direções. A barra será agora mais fina e apresentará maior largura, ou seja: ela sofreu deformação permanente.


CAUSAS DA DEFORMAÇÃO

A principal causa da deformação é o aquecimento não uniforme junta soldada pelo arco ou chama.
Com o aumento da temperatura, o limite de escoamento, o módulo de elasticidade e a condutividade térmica do aço decrescem e o coeficiente de dilatação térmica aumenta.

Fatores que influenciam na deformação:

à Energia de soldagem – se o metal ao redor da poça restringe, isto é, dificulta ao metal de base aquecido de se contrair novamente, tensões internas se desenvolvem.
Quanto menor a energia de soldagem, menor será a quantidade do metal de base adjacente à solda aquecida e cinsequentemente menor será a deformação.
Caso o pré-aquecimento seja aplicado incorretamente a deformação pode aumentar.

à Grau de restrição – estando a deformação impedida ou dificultada pelo uso de acessórios, o nível de tensões internas aumenta e no caso de grandes espessuras o surgimento de trincas pode ser inevitável.
Quanto maior o grau de restrição, maior o nível de tensões internas, menor a possibilidade de deformação, porém muito maior a possibilidade de aparecimento de trincas.

à Tensões internas – estão geralmente presentes nos componentes de uma estrutura mesmo antes de sua fabricação e são causadas por vários processos como laminação, dobramento, corte, conformação e oxicorte.
Muitas vezes estas tensões se opõem a deformação causada pela soldagem e assim reduzem a deformação resultante, outras vezes elas se somam.

à Propriedades dos materiais – quanto maior o valor do coeficiente de dilatação maior será a tendência a deformação durante a soldagem.
Condutividade térmica é a medida da capacidade do calor escoar através de um material.
Quanto maior a tensão de escoamento na área da solda, maiores as tensões residuais que podem agir para deformar a peça.
Para minimizar o empenamento, os metais devem ser soldados e então submetidos a tratamento térmico de alívio de tensões, quando possível. O módulo de elasticidade é a medida da rigidez de um material. Com altos módulos de elasticidade é mais provável se resistir a deformações.

Para as mesmas condições de soldagem o aço inoxidável vai se deformar mais que o aço carbono.


TIPOS DE DEFORMAÇÕES


à Contração transversal – trata-se de uma redução de dimensão perpendicular ao eixo do cordão de solda. Quanto maior a seção transversal da zona fundida, maior a contração.
Ela é influenciada pelos seguintes fatores: diminui com o aumento do grau de restrição das peças durante a soldagem e resfriamento, aumenta com a extensão da curva de repartição térmica e diminui com o martelamento da solda.
A contração transversal é desprezível para a solda em ângulo.

à Contração longitudinal – é a redução do comprimento do cordão de solda, depende da relação entre a seção transversal da zona fundida e a seção restante da peça.
A contração longitudinal está sujeita aos mesmos fatores de influência que a contração transversal.

à Deformação angular – a principal razão da deformação angular é a disposição irregular da zona plastificada em relação a linha neutra da peça.

à Empenamento – é o resultado da flambagem da peça, provocada pela contração longitudinal do cordão de solda. Ocorre freqüentemente na soldagem de chapas finas e perfis leves.

PREVENÇÃO E CONTROLE DA DEFORMAÇÃO


à Evitar soldagem excessiva – reduzir o mínimo a quantidade de metal depositado numa junta, pois quanto maior a quantidade de metal depositado numa junta maior será a força de contração. Em chapas relativamente espessas o ângulo do chanfro pode ser diminuído se o espaçamento da raiz for aumentada ou se o chanfro J ou V for usado.

à Usar chanfros duplos – uma junta em X requer cerca de metade da quantidade de metal depositado da necessária para a junta com chanfro em V numa chapa de mesma espessura. Além disso, a solda em ambos os lados possibilita o equilíbrio dos esforços de contração.

à Usar soldas intermitentes – sempre que possível usar soldas intermitentes ao invés de solda contínua.

à Menor número possível de passes – usar sempre que possível poucos passes. Do ponto de vista de aquecimento da peça é preferível usar poucos eletrodos de grande diâmetro a muitos eletrodos de pequeno diâmetro; quanto a contração transversal puder ser um problema.

à Posicionar as soldas próximas à linha neutra – a deformação é minimizada quando se tem o menor braço de alavanca possível para as forças de contração puxarem o perfil fora do seu alinhamento.

à Balancear as soldas em torno da linha neutra – compensa uma força de contração com uma força para efetivamente minimizar a deformação da soldagem.

à Utilizar a soldagem com passe a ré – com os cordões sucessivos, as chapas se expandem cada vez menos devido a restrição das soldas anteriores. A soldagem com passe a ré pode não ser efetiva em todas as aplicações, e ela pode não ser econômica quanto usada em soldagem automática.

à Utilizar a pré-deformação e a disposição dorso a dorso – colocar as partes a serem soldadas fora de posição pode fazer com que a contração trabalhe de maneira construtiva.

à Gabaritos e dispositivos auxiliares de fixação e montagem – os dispositivos auxiliares de fixação e montagem não devem ser removidos por impacto e a área da solda provisória não deve apresentar mordedura, poro, trinca, redução de espessura ou remoção incompleta.

à Planejar a seqüência de soldagem – a medida que o conjunto contrai num ponto, ele irá interagir com as forças de contração de soldas já executadas.

à Martelamento (peening) e tratamento térmico – o martelamento deforma o cordão de solda, aliviando assim (por deformação plástica) as tensões induzidas pela contração no metal frio. Porém, este método deve ser usado com muito cuidado. Por exemplo, o passe de raiz nunca deve ser martelado, por causa do perigo de nele se produzir uma trinca, que pode ficar oculta. Geralmente, o martelamento não é permitido no passe final, por causa da possibilidade dele encobrir uma trinca pelo fechamento desta e assim interferir com a inspeção, e também devido ao efeito indesejável do encruamento.
Outro método para remoção das forças de contração é pelo alívio de tensões (aquecimento controlado de um equipamento ou estrutura soldada a uma temperatura elevada, seguido por um resfriamento controlado).

à Minimizar o tempo de soldagem – o uso de eletrodos com revestimento de pó de ferro e os processos automáticos reduzem o tempo de soldagem, provocando menos deformação.

à Planejar a seqüência de montagem dos equipamentos e estruturas.





CORREÇÃO DE DEFORMAÇÕES

Nem sempre é possível controlar as deformações dentro de limites aceitáveis, especialmente quando nos deparamos com um novo produto, fabricado pela primeira vez. Normalmente é possível retificar a deformação por um dos métodos abaixo referidos:


à Ressoldar;
à Uso de pernas e martelos;
à Uso do aquecimento localizado - o uso do aquecimento localizado através de maçarico é muito difundido para corrigir deformações. Somente a experiência pode dizer o melhor método a ser aplicado a um caso particular.
Em todos os casos o maior perigo é a super-contração da área que esta sendo aquecida. A super-contração pode ser causada pelo aquecimento de uma área muito grande ou pelo aquecimento a uma temperatura muito alta. É aconselhável restringir a temperatura da área 600-650ºC.
O sucesso da técnica depende do estabelecimento de um grande diferencial de temperatura na peça entre o local que recebe a chama e a área circunvizinha. Para acelerar a operação e evitar que a área aquecida seja maior uma pistola atomizadora de água é algumas vezes usada para acelerar o resfriamento.

CONTROLE DE DEFORMAÇÃO 2

Baixe aqui o módulo de Controle de Deformação em forma de uma pequena apostila.

A deformação é um dos mais sérios problemas a ser enfrentado na fabricação de estruturas e equipamentos soldados.


APOSTILA DE CONSUMÍVEIS



Todos sabemos que uma das matérias mais complicadas na área de soldagem é "Consumíveis de Soldagem", por isso andei buscando uma apostila sobre essa matéria para me ajudar nos estudos. Resolvi colocar aqui um link para quem quiser essa apostila também para poder ter um material a mais na hora de estudar.
Bons estudos.

Relembrando: Consumível de soldagem – material empregado na deposição ou proteção da solda.
Exemplo: Eletrodo revestido.

ENSAIO POR ULTRA-SOM







A principal finalidade do ensaio por ultra-som é a detecção de descontinuidades internas em materiais não ferrosos, metálicos e não metálicos, através da introdução de um feixe sônico, a uma freqüência acima da faixa audível a qual se situa entre 20Hz e 20KHz.

O feixe sônico, cujas características devem ser compatíveis com a estrutura do material a ser ensaiado, quando introduzido num ângulo favorável em relação a uma descontinuidade, encontra uma interface sendo refletido pela mesma. A reflexão será então registrada na tela do aparelho como um pico.

As ondas sônicas mais importantes são as ondas longitudinais e transversais.

a) Ondas Longitudinais – chamadas de ondas de compressão, ocorrem quando o movimento oscilatório das partículas se dá no mesmo sentido que a propagação da onda.
b) Ondas Transversais – chamadas de ondas de cisalhamento, ocorrem quando o movimento oscilatório das partículas se dá em uma direção perpendicular à direção de propagação da onda.

O ensaio pela técnica pulso-eco consiste basicamente de pulsos de alta freqüência emitidos pelo cristal, que caminham através do material. Estes pulsos refletem quando encontram uma descontinuidade ou uma superfície do material. Esta energia mecânica (som) é recebida de volta pelo cristal que transforma o sinal mecânico em sinal elétrico, que é visto na tela do aparelho.

REQUISITOS BÁSICOS PARA O ENSAIO

a) Operador treinado e qualificado;
b) Norma técnica e procedimento;
c) Aparelho de ultra-som;
d) Transdutores;
e) Acoplante;
f) Blocos de calibração e de referência;
g) Material a ser ensaiado.


TRANSDUTORES

Os transdutores utilizados na construção dos cabeçotes de ultra-som são os responsáveis pela transmissão de energia mecânica para a peça, e também são eles que transformam a energia mecânica recebida no sinal elétrico que é visto na tela do aparelho.

O transdutor é um cristal especial polarizado, que muda de dimensão quando uma tensão elétrica é aplicada. Quando a tensão é aplicada, o cristal aumenta ligeiramente de espessura e quando a tensão é retirada o cristal retorna à sua espessura original.

Aos cristais que se deformam em função de uma tenção elétrica aplicada e que geram uma tensão elétrica quando deformados dá-se o nome de cristais piezo-elétricos.

Em ensaios por ultra-som, as ondas sônicas são transmitidas a uma freqüência entre 1 e 20Mhz.

CABEÇOTES

Cabeçote normal – compõe-se basicamente de um cristal piezo-elétrico, disposto em um plano paralelo ao plano da peça a ser examinada.

Cabeçote duplo-cristal - compõe-se basicamente de dois cristais piezo-elétricos, um agindo como emissor e outro como receptor, dispostos em um plano aproximadamente paralelo ao da peça a ser examinada ou focados num ponto situado a uma distância determinada.

Cabeçote angular – compõe-se basicamente de um cristal piezo-elétrico disposto em ângulo em relação ao plano da peça a ser examinada. Os cabeçotes angulares mais usados são dos de 45°, 60° e 70°.

ACOPLANTE

É qualquer substância introduzida entre o cabeçote e a superfície da peça em inspeção com o propósito de transmitir vibrações de energia ultra-sônica entre ambos. Ele tem a finalidade de fazer com que a maior parcela possível de som seja transmitida do cabeçote à peça e vice-versa, o que não aconteceria se existisse ar entre os cabeçotes e a peça.

TIPOS USUAIS DE ENSAIO POR ULTRA-SOM

Medição de espessura – é o ensaio que visa determinar a espessura de uma peça. É feito normalmente com o auxílio de cabeçotes duplo-cristal, depois de calibrado o aparelho.

Detecção de dupla-laminação – feito em chapas, a fim de que se detecte as duplas-laminações porventura existentes. É muito útil na orientação do plano de corte de chapas. É feito com o auxílio de cabeçotes normal e/ou duplo-cristal.

Inspeção de solda – visa detectar descontinuidades oriundas de operações de soldagem. O ensaio é feito com o auxílio de cabeçotes normal e/ou duplo-cristal e cabeçotes angulares. É usual a trançagem, sobre a tela do aparelho, de curvas denominadas curvas de referência, que servem para avaliar as descontinuidades existentes.




SEQUÊNCIA DO ENSAIO

Medição de espessura – verificar o tipo de material a ser inspecionado, escolher o aparelho e cabeçote, calibrar o aparelho em bloco padrão, preparar a superfície, aplicar o acoplante, posicionar o cabeçote, efetuar a leitura e relatar os resultados.

Detecção de dupla-laminação – verificar o tipo de material e espessura, escolher o aparelho e cabeçote, calibrar a escala, ajustar a sensibilidade, preparar a superfície, aplicar o acoplante, executar a inspeção e relatar os resultados.

Inspeção de solda – verificar o tipo e espessura do material, escolher o aparelho e cabeçote, determinar área de varredura para os cabeçotes angulares, calibrar escala, ajustar sensibilidade, preparar a superfície, aplicar o acoplante, examinar a área de varredura dos cabeçotes angulares, calibrar a escala para os cabeçotes angulares, traçar as curvas de referência para os cabeçotes angulares, ajustar a sensibilidade, aplicar o acoplante, efetuar a inspeção e relatar os resultados.


VANTAGENS

a) Pode ser executado em materiais metálicos e não metálicos.
b) Não necessita, para inspeção, do acesso por ambas as superfícies da peça.
c) Permite localizar e dimensionar com precisão as descontinuidades.
d) É um ensaio mais rápido do que radiografia.
e) Pode ser executado em juntas de geometria complexa, como nós de estruturas tubulares.
f) Não requer paralisação de outros serviços durante a sua execução e não requer requisitos rígidos de segurança.


LIMITAÇÕES E DESVANTAGENS

a) Não se aplica à peças cuja forma, geometria e rugosidade superficial impeçam o perfeito acoplamento do cabeçote à peça.
b) O grão grosseiro de certos metais de base e solda (particularmente ligas de níquel e aço inoxidável austenítico) pode dispersar o som e causar sinais que perturbem ou impeçam o ensaio.
c) O reforço da raiz, cobre-juntas e outras condições aceitáveis podem causar indicações falsas.
d) Peças pequenas ou pouco espessas são difíceis de inspecionar.
e) O equipamento de ultra-som é caro.
f) Os inspetores de ultra-som requerem, para sua qualificação, de maior treinamento e experiência do que para os outros ensaios não-destrutivos.
g) A melhor detecção da descontinuidade depende da orientação do defeito na solda.
h) A identificação do tipo de descontinuidade requer grande treinamento e experiência, porém mesmo assim não é totalmente segura.

ENSAIO RADIOGRÁFICO






O ensaio radiográfico utiliza raios-X e raios-δ (gama) para mostrar a presença e certas características de descontinuidades internas ao material.
O ensaio baseia-se nos seguintes fatores: a radiação emitida tem a propriedade de penetrar nos corpos sólidos; a radiação interage com a matéria sendo mais absorvida por corpos mais densos do que menos densos; a radiação tem a propriedade de ser captada sobre filme fotográfico, tela fluorescente e etc.
A capacidade de penetração em sólidos depende de vários fatores, tais como comprimento de onda da radiação, tipo e espessura do material. Quanto menor for o comprimento de onda, maior é a capacidade de penetração da radiação.
Parte da radiação atravessa o material e parte é absorvida. Onde existe um vazio ou descontinuidade há menos material para absorver a radiação. Assim, a quantidade de radiação que atravessa o material não é a mesma em todas as regiões.



A radiação, após atravessar o material, irá impressionar um filme, formando uma imagem do material. Este filme é chamado radiografia.

FONTES DE RADIAÇÃO

Raios-X

São produzidos eletricamente e são formados pela interação de elétrons de alta velocidade com a matéria. Quando elétrons de suficiente energia interagem com elétrons de um átomo, são gerados raios-X. Cada elemento quando atingido por elétrons em alta velocidade, emite o seu raio-X característico.
Raios-X contínuos são chamados dessa forma porque o seu espectro de energia é contínuo. As condições necessárias para a geração de raios-X são:

a) Fonte de elétrons;
b) Alvo para ser atingido pelos elétrons (foco);
c) Acelerador de elétrons na direção desejada.


Os geradores de radiação X são aparelhos com dispositivos elétricos e eletrônicos fabricados pelo homem, portanto não constituem uma fonte natural de radiação.

Requisitos básicos para produção de Raios-X

a) Fornecimento de elétrons;
b) Movimento dos elétrons (acelerador);
c) Bombardeamento de elétrons em um alvo;

Geralmente o tubo de raios-X é uma ampola de vidro de alta resistência ao calor.
A qualidade da radiografia está relacionada ao tamanho do ponto focal, que quanto menor, produzirá melhores detalhes de imagem.

Exposição do filme

O filme radiográfico será sensibilizado não somente pela luz mas também pela radiação. Este processo consiste em proteger o filme contra raios de luz e permitir que incida sobre ele apenas a radiação durante a exposição.
As áreas escuras observadas num filme radiográfico, indicam que uma maior quantidade de radiação passou por aquela região correspondente na peça ensaiada.

Quando utilizar o ensaio radiográfico

a) Quando a descontinuidade causar uma diferença detectável na sua espessura, na densidade ou na composição do material.
b) Quando o material for consideravelmente homogêneo.
c) Quando a configuração da peça a ser radiografada permitir o acesso aos dois lados. Um lado para posicionar o filme e outro a fonte.
d) Quando a descontinuidade a ser detectada estiver devidamente orientada em relação ao feixe de radiação.


Raios- δ (Gama)

Os raios- δ são ondas eletromagnéticas de baixo comprimento de onda e com as mesmas propriedades dos raios-X.
Dos isótopos radioativos, o Cobalto 60 e o Irídio 192 são os mais utilizados na radiografia industrial.


Comparação entre os Raios-X e Raios- δ

A diferença mais importante entre os raios-X e δ é o fato de se poder regular a tensão anódica. Com os raios- δ, a única solução é mudar a fonte radioativa. Prefere-se o Irídio para as menores espessuras (de 10 a 60mm para aços) e o Cobalto para as espessuras maiores (de 60 a 160mm para aços).
Os raios- δ são emitidos espontaneamente, não necessitando de aparelhagem ou alimentação elétrica. Em locais onde não existe energia elétrica os raios- δ devem ser usados.
Para espessuras muito altas (acima de 90mm) o poder de penetração dos raios-X não é suficiente.
As instalações para o uso de raios- δ são bem mais baratas que as dos raios-X.
Uma grande vantagem dos raios- δ é a sua emissão esférica a partir da fonte, permitindo efetuar radiografias circunferências em uma única exposição (exposição panorâmica)

Absorção da radiação

Todos os materiais absorvem radiação, alguns mais do que outros. Os materiais mais densos e os de maior número atômico absorvem maior quantidade de radiação do que os materiais menos densos e os de menor número atômico.
A espessura também contribui para a absorção, pois quanto maior a espessura maior a quantidade de radiação irá absorver.

Filme

Áreas de alta densidade (expostas a grandes quantidades de radiação) aparecem cinza escuro; áreas de baixa densidade (expostas a menos radiação) aparecem cinza-claro.
A densidade é o grau de enegrecimento do filme. A densidade é medida por meio de densitômetros de fita ou densitômetros eletrônicos. A medição da densidade é feita no negatoscópio, que é o aparelho usado para a interpretação de radiografias.

Indicadores de Qualidade de Imagem (IQI)

O IQI é um dispositivo, cuja imagem na radiografia é usada para determinar o nível de qualidade radiográfica (sensibilidade). Não é usado para julgar o tamanho das descontinuidades ou estabelecer limites de aceitação das mesmas.
Os penetrômetros, que têm a função de medir a sensibilidade radiográfica, devem sempre ser de material idêntico, ou radiograficamente similar, ao material radiográfico.

Telas intensificadoras (écrans)

São utilizadas com o intuito de filtrar determinadas radiações, protegerem o filme contra radiações dispersas e também atuar como intensificadores, isto é, diminuir o tempo necessário para exposição. A tela mais usada é a tela de chumbo.

Processamento do filme

Existem dois tipos de processamento: o automático e o manual, sendo este último o mais utilizado na indústria do petróleo.
O processamento do filme, consiste basicamente em:

a) Revelação;
b) Banho de parada;
c) Lavagem intermediária;
d) Fixação;
e) Lavagem final;
f) Banho umectante;
g) Secagem.



Proteção

Para se evitar qualquer problema, deve ser rigorosamente seguido o Plano de Radioproteção da empresa executante do serviço e previamente aprovado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, o qual prevê as áreas a serem isoladas e os controles a serem efetuados.

Seqüência do ensaio

a) Verificar o material, diâmetro (no caso de tubos) e espessuras a ser radiografada;
b) Selecionar técnica radiográfica;
c) Selecionar a quantidade e dimensões dos filmes;
d) Montar chassis (envelope, telas e filme);
e) Verificar atividade da fonte, no caso de radiografia com raios- δ ou selecionar corrente e tensão no caso de aparelho de raios-X;
f) Verificar a distância fonte-filme e a densidade requerida;
g) Calcular tempo de exposição;
h) Selecionar IQI;
i) Balizar a área, para proteção;
j) Montar conforme arranjo previsto e bater radiografia;
k) Processamento do filme;
l) Laudo;
m) Relatar os resultados.


Vantagens

- registro permanente dos resultados.
- detecta facilmente defeitos volumétricos.

Limitações e desvantagens

- descontinuidades bidimensionais, tais como, trincas, duplas-laminações e falta de fusão, são detectadas somente se o plano delas estiver alinhado ao feixe de radiação.
- é necessário o acesso a ambas as superfícies de uma peça para radiografá-la.
- dependendo da geometria da peça, não é possível obter radiografias com qualidade aceitável, que permitam uma interpretação confiável.
- a radiografia afeta a saúde dos operadores, inspetores e do público e deve, por isso, ser criteriosamente utilizada.
- é necessário a interrupção de trabalhos próximos para a exposição da fonte.
- o custo do equipamento e material de consumo são relativamente altos.
-é um ensaio relativamente demorado.
- no caso de raios-X, o aparelho não é totalmente portátil, dificultando a execução de radiografias em lugares de difícil acesso.
- a interpretação requer experiência e conhecimento dos processos de soldagem, para identificação correta das descontinuidades.


ENSAIO POR LÍQUIDO PENETRANTE



O ensaio por meio de líquido penetrante é relativamente simples, rápido e de fácil execução.
É utilizado na detecção de descontinuidades abertas para a superfície de materiais sólidos não porosos. A detecção das descontinuidades independe do tamanho, orientação, configuração da descontinuidade e da estrutura interna ou composição química do material.

CARACTERÍSTICAS E TIPOS DE LÍQUIDO PENETRANTE

O líquido penetrante é um líquido de grande poder de penetração e alta ação capilar.

Tipo A – Penetrante fluorescente – é utilizado em ambientes escuros sendo visível com luz ultravioleta (luz negra);
Tipo B – Penetrante visível (não fluorescente) – é utilizado em ambientes claros, sendo visível com a luz natural.

Os penetrantes, quanto a remoção do seu excesso, podem ser classificados como?

Tipo A-1 ou B-1 – Removível com água.
Tipo A-2 ou B-2 – Removível com água após a emulsificação.
Tipo A-3 ou B-3 – Removível com solvente.

CARACTERÍSTICAS DO REVELADOR

O revelador fundamentalmente é um talco aplicado de forma seca, úmido ou líquido, que tem como função retirar o penetrante das descontinuidades e conduzi-lo para a superfície dando uma indicação colorida ou fluorescente destas descontinuidades.

SEQUÊNCIA DO ENSAIO

a) Limpeza inicial (tem como objetivo remover contaminantes);
b) Aplicação do penetrante;
c) Remoção do excesso do penetrante;
d) Aplicação do revelador;
e) Inspeção final;


VANTAGENS

- o ensaio tem sensibilidade muito boa e detecta até descontinuidades muito pequenas.
- a forma da peça não é um problema, pois é um método que se aplica tanto à superfície planas quanto à superfícies curvas.
- é um ensaio rápido, de fácil execução e custo relativamente baixo.
- é aplicável em materiais magnéticos e não magnéticos.
- para o treinamento de operadores e inspetores se requer menor tempo que para os outros tipos de ensaios não-destrutivos.

LIMITAÇÕES E DESVANTAGENS

- detecta somente descontinuidades abertas para a superfície e que não estejam obstruídas.
- não proporciona registro permanente dos resultados.- o resíduo de penetrante que permanece nas descontinuidades pode ser prejudicial à peça ou solda na seqüência da soldagem, podendo contaminar a mesma.



Ensaio por Partículas Magnéticas



O ensaio por meio de partículas magnéticas é utilizado para localizar descontinuidades superficiais e sub-superficiais em peças de material ferro-magnético, tais como: as ligas de ferro e níquel. A presença de descontinuidades superficiais ou sub-superficiais irá produzir campos de fuga na região da descontinuidade.

TÉCNICAS DE ENSAIO

TÉCNICA YOKE

Existem dois tipos de yokes; o yoke de imã permanente e o yoke eletromagnético, sendo que a maior parte das normas apenas permite o uso do yoke eletromagnético de corrente alternada, pelo fato do mesmo apresentar as melhores características de detecção de descontinuidades.
O yoke induz na peça um campo magnético longitudinal, que é gerado por corrente alternada.
Durante a inspeção, as descontinuidades são detectadas entre os pontos de contato do yoke.

TÉCNICAS DOS ELETRODOS

Esta técnica consiste na injeção de corrente na peça através de dois eletrodos.
A intensidade de corrente a ser utilizada depende da distância entre os eletrodos e da espessura da peça a ser inspecionada.

TÉCNICA DA BOBINA

Esta técnica consiste na indução de um campo magnético longitudinal à peça a ser inspecionada.

TÉCNICA DO CONTATO DIRETO

Esta técnica consiste na indução de um campo magnético circular à peça a ser inspecionada.

PARTÍCULAS FERROMAGNÉTICAS

As partículas ferromagnéticas indicam a existência das descontinuidades, aderindo aos locais onde existem campos de fuga.
As partículas podem ser:

- coloridas – visíveis sob luz normal; ou
- fluorescentes – visíveis sob luz negra.

Quanto ao método de aplicação as partículas se classificam em:

- Partículas para via seca – aplica-se simplesmente o pó seco a peça; ou
- Partículas para a via úmida – aplica-se uma suspensão de partículas em meio líquido sobre a peça a ser examinada.

SEQUÊNCIA DO ENSAIO

a) Limpeza;
b) Magnetização da peça;
c) Aplicação das partículas;
d) Inspeção final;
e) Desmagnetização da peça.


VANTAGENS

- detecta descontinuidades sub-superficiais.
- mais barato do que o ensaio por meio de líquido penetrante.
- fornece resultados imediatos, não tendo os tempos de espera requeridos pelo ensaio por meio de líquido penetrante.

LIMITAÇÕES E DESVANTAGENS

- o ensaio por partículas magnéticas aplica-se somente a materiais ferromagnéticos.
- a inspeção de áreas, com materiais de características magnéticas muito diferentes, dificulta bastante a inspeção.
- a geometria da peça pode dificultar e/ou tornar a inspeção não confiável, ou mesmo impossível em alguns casos.- não permite o registro permanente dos resultados.